Nesta sexta-feira, 28, a prefeita de Gurupi, Josi Nunes, acompanhou de perto o trabalho que o município vem realizando com crianças neurodivergentes, tanto na área da saúde quanto na educação. Acompanhada da secretária municipal de Saúde, Luana Nunes, a gestora visitou a Unidade Básica de Saúde (UBS) Ney Luz e Silva, no bairro Nova Fronteira, onde funciona o projeto “Acolhendo as Cores”.
Desde o ano passado, o projeto proporciona atendimento multidisciplinar e especializado, incluindo serviços de neuropediatra, psiquiatra, psicólogos, fonoaudiólogo, fisioterapeutas, assistente social, nutricionista e terapeuta ocupacional para crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).
A prefeita ressaltou a importância desse atendimento especializado para o desenvolvimento infantil. “Esse trabalho contribui significativamente para a sociabilidade das crianças, desenvolvendo seus potenciais e ajudando, por exemplo, na melhoria da alimentação de crianças seletivas. É um acompanhamento completo que tem mostrado resultados expressivos. E não se restringe apenas à saúde, pois as crianças também são assistidas na rede municipal de ensino”, destacou.
Acolhendo as Cores: um projeto de acolhimento integral
A secretária de Saúde, Luana Nunes, enfatizou que o projeto nasceu para atender pacientes que enfrentam dificuldades no acesso a serviços especializados. “Além da escassez de profissionais na área, os custos desse tipo de atendimento são altos. Aqui, garantimos desde o diagnóstico até o acompanhamento completo dentro da rede de saúde, tanto no Acolhendo as Cores quanto na atenção básica”, explicou.
A coordenadora da UBS e do projeto, Samara Ferreira, explicou que as crianças atendidas passam por um processo completo, desde o diagnóstico até as terapias necessárias. “Os pais que têm dúvidas sobre seus filhos procuram a UBS, pegam encaminhamentos e são direcionados ao projeto. Aqui, realizamos toda a avaliação para definir se a criança está dentro do espectro ou não. Após o diagnóstico, elas participam das terapias por um período de seis meses ou até alcançarem os objetivos estabelecidos, e seguem acompanhadas pelas UBS de referência”, explicou.
Atualmente, 80 crianças estão sendo assistidas pelo projeto e apresentando evolução significativa. “Os pais são gratos pelo projeto, pois têm observado melhorias no desenvolvimento de seus filhos”, afirmou Samara.
Jackeline Bezerra, mãe de Enzo Gabriel Passos, de 6 anos, autista nível 2, compartilhou sua experiência positiva com o programa. “Esperava por esse atendimento há muito tempo. Antes, precisava ir a Palmas, o que era muito difícil. Assim que soube da implantação do serviço, consegui o encaminhamento e meu filho participa de todas as terapias. Ele tinha uma seletividade alimentar severa e agora aceita uma variedade maior de alimentos”, relatou.
Ela também destacou a qualidade do atendimento e o acolhimento recebido. “A equipe nos trata muito bem. A Samara é muito acolhedora, temos um grupo de apoio e somos atendidas a qualquer momento. Nos sentimos em casa”, disse.
Rede de apoio na educação municipal
Para garantir um atendimento eficaz, a gestão municipal tem se preocupado em oferecer suporte tanto na saúde quanto na educação, onde as crianças passam boa parte do tempo.
Nas escolas municipais de Gurupi, as crianças diagnosticadas com TEA, TDAH ou TOD recebem acompanhamento especializado em sala de aula e participam do Atendimento Educacional Especializado (AEE), em espaços equipados com materiais pedagógicos e tecnológicos que auxiliam no desenvolvimento. Atualmente, a rede municipal conta com 19 salas especializadas.
O secretário municipal de Educação, Samuel Rodrigues, destacou que cerca de 400 crianças autistas são atendidas na rede municipal, recebendo acompanhamento para desenvolver suas habilidades. “Nosso foco é a inclusão e o desenvolvimento de habilidades. Contamos com uma equipe multidisciplinar composta por seis psicólogos, seis assistentes sociais, professores especializados para as salas de AEE e 219 profissionais de apoio que auxiliam essas crianças no processo didático-pedagógico em sala de aula”, explicou.
A diretora da Escola Municipal Orlindo Pereira da Mota, Marilsa Coelho, ressaltou a visibilidade do trabalho realizado. “Os pais têm valorizado as políticas de inclusão da gestão e procuram cada vez mais os serviços. Atendemos atualmente 40 alunos laudados e 14 em investigação. O aumento na demanda mostra que estamos no caminho certo”, concluiu.
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